Jesus não se importava com números nem com resultados aparentes. Em Jo:2.24; lemos que ele não acreditava na fé daqueles muitos que criam apenas por causa dos milagres feitos por ele. O capítulo 6 desse mesmo evangelho registra uma das duas vezes em que a multidão foi contada. Entretanto, esse mesmo capítulo, que começa com uma multidão de milhares de pessoas, termina com apenas 12. A estas ultimas, Jesus ainda pergunta:: " Vocês também querem ir embora? " como quem diz " Se quiserem ir embora não me importo, pois não mudarei os meus princípios e nem o meu ensino para agradar nem mesmo a uma só pessoa, quanto mais a uma multidão". Aos fariseus que o indagavam sobre o Reino de Deus, Jesus respondeu : " O Reino de Deus não vem com aparência exterior; nem dirão: Ele está aqui! ou Ele está ali! pois o Reino de Deus está dentro de vocês" (Lc 17.20-21). Na parábola do joio do trigo, ele ensinou que é muito difícil julgar os dois pela sua aparência, pois o joio e o trigo são parecidíssimos antes de amadurecerem (Mt 13.24-30). Após a sua crucificação os discípulos se dispersaram, e parecia que todo o esforço de 3 anos estava destinado ao fracasso. Com a ressureição, novamente os discípulos novamente se reuniram, porém, não havia mais aquelas multidões que o seguiam por toda a parte. Apesar de Jesus se apresentar poderosamente a eles por 40 dias, o maior número reunido neste período foi de 500 irmãos(portanto, menos do que 600) citado por Paulo em 1Corintios (15.6). O Espírito Santo desceu apenas sobre os 120 irmãos em Jerusalém, mas em seguida multidões comecaram a converter-se e a igreja maravilhou-se com estes resultados, acomodando-se e esquecendo-se da ordem de Jesus de evangelizar o mundo. Deus, então, mandou a perseguição desencadeada com a morte de Estevão, e os crentes tiveram que fugir de Jerusalém. O livro de Atos fala de um detalhe que passa despercebido a muita gente. Lá se diz que a igreja de Jerusalém, que tinha milhares de membros (hoje seria chamada de mega-igreja), ficou reduzida a um pequeno grupo: "Todos com exceção dos apóstolos, foram dipersos pelas regiões da Judeia e Samaria"(At 8.1).
O líder cristão, asim como Jesus, não avalia os seus rsultados com base em números ou na aparência, mas trabalha com pessoas, e estas não podem ser tratadas como simples registro de estatística. Ele não pode deixar-se impressionar por resultados aparentes, que muitas vezes têm o brilho breve dos fogos de artifício, mas trabalha com o coração das pessoas que é terreno desconhecido. A este respeito Jesus contou uma interessante parábola em Marcos (4.26-29), cujo ensino básico é o seguinte: "Lance a semente e descanse, espere pelo tempo de Deus, de nada adianta você acordar no meio da noite e ir lá aonde a plantou, pois isso não fará que a planta nasça antes do tempo".
Um dos conceitos mais marcantes e mais característicos de Jesus é o da "penetração". Ele está presente nas metáforas que Jesus usou para aplicar seu ensino: sal, luz, fermento, semente; etc. Uma pitada de sal penetra no alimento e muda todo o seu sabor, uma pequena lâmpada penetra nas trevas de um cômodo e dá segurança e conforto visual, algumas poucas gramas de fermento penetram na massa toda e multiplicm o seu tamanho, uma pequena semente penetra na terra e gera uma planta que irá produzir milhares de frutos, Jesus quis demonstrar com isto sua opção preferencial pelas minorias.A alguém que lhe perguntou se são poucos os que se salvam, respondeu indiretamente que sim, pois a porta é estreita, o caminho também, e, por isso mesmo, são poucos os que entram (Lc 13.22-30).
Como vimos acima, Jesus era permanentemente seguido por multidões, mas não confiava nelas, preferia trabalhar com as minorias. Se aos setenta discípulos que ele enviou somarmos as mulheres que o acompanhavam e servia, ainda assim teremos menos de 100 seguidores. Convenhamos que é muito pouco para quem estava sempre cercado de milhares. Ele sabia que era impossível ter qualidade na multidão, pois é muito difícil obter sua adesão sincera, controlar sua participação e acompanhar seu desenvolvimento. Sem falar na impossibilidade de conhecer as pessoas e suas necesidades, como um verdadeiro líder deve fazer.
A idéia de qualidade está presente nas duas parábolas de Jesus em Lucas (15.1-10) a da ovelha perdida e a da moeda perdida. O grande ensino ali é que Deus está interessado em qualidade: 1% de conversões verdadeiras é muito mais importante do que 99% de membros de igreja que não têm evidência de arrependimento e conversão. Quer dizer, se Jesus fosse pastor hoje de uma igreja com 1.000 membros, a qual tivesse somente 10 membros verdadeiramente comprometidos, certamente preferiria trabalhar com estes.
A mesma idéia tmbém está presente na oferta da viúva pobre: duas moedinhas insignificantes representavam muito mais qualidade do que grandes quantias lançadas no cofre do templo pelos ricos e poderosos (Lc 21.1-4). É incrível como esta posição de Jesus é tão diferente daquela por muitos hoje em dia!
"Se quisermos ser bons líderes cristãos devemos tratar o sucesso do mesmo modo que Jesus o fez". ( Pr. Sylvio Macri )
Discopraise - Se eu me humilhar


